Primeira questão: Quando você se percebeu, quando se deu conta de que era uma pessoa, um indivíduo; de que era, de fato, “alguém”? Por volta de qual idade e o que lhe marcou, o que fez perceber isso?
Já me apresentei, mas vou deixar de modelo para você que quer pegar um “cadinho” do meu processo e assim também se apresentar: Mauricio Cordeiro Neves, 54 anos, publicitário e psicólogo, ambos atuantes. Nasci em São Paulo, capital, e me percebi no bairro da Mooca, onde vivi os primeiros anos da minha vida, até os 5 anos de idade.
Eu percebi isso quando era muito jovem, devia ter entre 3 e 5 anos, e foi um conjunto de experiências. Não poderia cravar um único, eu estava sempre na companhia de muitas pessoas, várias cenas me marcaram.
Nessa época eu morei na rua Oratório, na Mooca, numa vilinha, um lugar onde boa parte do meu núcleo familiar vivia: pais, avós, tias, tios, primos... e foi justamente com a minha irmã que me percebi uma pessoa, um indivíduo.
Eu sempre fui muito curioso, e como lidava praticamente só com adultos, a pessoa mais nova com quem eu convivia era justamente minha irmã, cinco anos mais velha que eu. Percebi meu jeito de ser, muitas vezes expansivo.
Veja o que estou fazendo aqui. Perceba que nunca deixei de ser expansivo. Estou sem o mínimo de parcimônia, levando essa reflexão a um número enorme de pessoas, convidando para um bate papo, à moda antiga, trocando experiências.
Aquele meu jeito expansivo colocava minha irmã costumeiramente em maus lençóis, porque eu não media o meu tamanho. Os meninos não gostavam desse meu jeito, às vezes um tanto invasivo de me atirar na vida.
Eu protagonizei cenas na minha infância e meus primos poderão até dizer assim: esse meu primo realmente não se continha em viver dentro da caixinha. Eu trago isso à baila, eu tenho uma reflexão pessoal sobre isso.
“Nós somos o que somos”. Gosto de grifar essa frase porque ela não é apenas o meu entendimento; vem de anos estudando diversas correntes religiosas, e essa iniciativa que tive nos últimos anos evidenciam essa compreensão; são testemunhos.
O mundo muda o tempo todo. Nós podemos e devemos nos adaptar a essas mudanças até para sobreviver e isso é fundamental, mas a essência do que somos, no meu modo de ver, nunca muda. Costumo dizer que, quando muda, faz adoecer.
Eu trouxe aqui uma reflexão pessoal sobre essa questão, fique à vontade para retratar sua idade e experiência que o marcou para esse reconhecimento. A minha intenção com essa obra, respeitando a autorização dos convidados, é fechar as respostas em uma única obra e lançar como livro coletivo.
Eu quero conhecer pessoas que gostam desse movimento, pois tenho um trabalho em andamento. Porém, ele só se adapta a pessoas que sentem nessa oportunidade uma espécie de “chamado”.
Hoje, quando me sento para escrever, e veja, não sou um escritor, apenas gosto de escrever. Quando faço isso, pego na mão da Mãe Divina e sinto todo o seu AMOR, dizendo para mim: Toque o coração das pessoas!